quinta-feira, 22 de abril de 2010

Conspiração

Eu acordo com um gosto de nada me satisfazer. Não há um vinho, ou antigo companheiro cigarro, nenhuma comida que me sacie, nem aquele livro marcado com clipes, nem tampouco meu melhor filme. Há um espaço que não é preenchido, um que se move no tempo, no espaço de mim, há balas de festim. Nada parece verdadeiro. Talvez o isqueiro de plástico vagabundo no fundo da mala de viagem seja algo. Vou a cozinha, abro a geladeira na vã esperança de encontrar um bálsamo empanturrado de aromatizantes e conservantes. Vejo uma maçã impregnada de veneno. O negócio tá ficando foda meu irmão! Até o meu violão desafinado me olha em tremendo tédio. Visito a primeira página virtual – Obama usa nada menos que 8 milhões de dólares para construir uma usina nuclear. A nação prometida vai sair do buraco! Eu penso quantas outras vão cair num abismo de carne podre insana por isso. Meu filho me chama para ler Bukowisk. Começo a rir de tanto que me encontro nele. Meu Deus! Tenho que suportar também. Todos eles têm cus, todos comem e cagam todos os dias. Todos vomitam suas vaidades imundas. E eu pergunto ao meu Deus quando me levanto para atender ao meu filho – o que mais virá Senhor?
RUSSO,T.C.F.

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